Deveres e direitos do cristão

“Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Coríntios 9.16).

Quanto mais se avança em conhecimento e se galga as mais altas etapas do relacionamento humano, mais se fala em direitos humanos, porém, os deveres são relegados ao segundo plano. O código de ética do cristão não é tão rígido ao ponto de que não se possa cumprir as regras com simplicidade, conforme o que está escrito nas Escrituras Sagradas, o manual de conduta de todos aqueles que almejam morar no céu. Nos dias atuais, é mais cômodo conhecer os direitos em seus mínimos detalhes para exigi-los integralmente do que executar na íntegra os deveres de cidadão e, acima de tudo, de cristão. Todos sabem que direitos e deveres devem andar sempre juntos, pois um é decorrência do outro. O Novo Testamento não fala muito em direitos do cristão, porque ele foi salvo para servir a Deus e não para exigir ou reivindicar alguma coisa. Jesus diz: “a minha graça te basta”. O salvo é discípulo do servo-maior, Jesus Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10.45). Ele próprio lavou os pés dos discípulos e lhes disse: “Eu vos dei o exemplo” (Jo 13.15). Os deveres do servo do Deus Altíssimo estão restritos às áreas dos dois grandes mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Assim, o crente fiel tem deveres para com o Senhor e para com o seu semelhante. Jesus reservou aos crentes um único direito e esse nos é suficiente: o direito à árvore da vida (Ap 22.14). Como exemplo de grande dever está o fato de difundirmos o evangelho de Cristo. Trata-se, aqui, de uma obrigação a qual todo cristão deve pôr em prática. Jesus disse: “Ide, pregai o evangelho”; logo, não podemos ser desobedientes a essa ordenança, a esse dever que compete a todos os salvos em Cristo.

 

Tire os olhos do tanque e verás o milagre

“Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água.
Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda” (João 5.2-8).

Betesda, um nome tão belo, porém, era um local que abrigava pessoas desesperadas pela cura divina através de uma única oportunidade, mediante a crença que um Anjo vindo agitaria as águas do tanque e o primeiro a se atirar nela seria curado. Ali havia muitos paralíticos e como seria para estes se deslocarem e subirem os cincos alpendres e caírem na água? Havia muitos deficientes visuais e como seria para eles burlarem a multidão e chegarem primeiro as águas do tanque de Betesda? Grandes dificuldades, mas eles, mesmo diante dessas barreiras, ali permaneciam dia após dia. Assim são muitos que permanecem numa crença, que não lhe traz benefícios nenhum, ou seja, não lhe devolve a paz, nem a felicidade da alma, todavia, não conseguem se afastar dela. O milagre, segundo o que eles acreditavam, só beneficiava o primeiro que caísse na água e após ter sido ela agitada por um Anjo. Eu creio que ali era um lugar onde muitas pessoas faziam brincadeiras uns com os outros, atirando talvez pedras ou agitando as águas de qualquer maneira para verem as pessoas desesperadas subirem os alpendres e se jogarem no tanque. As pessoas ignoraram a grande festa que havia em Jerusalém permanecerem de plantão junto ao tanque, tristes e com os olhos fitos nas águas. Ninguém viu Jesus chegar, pois a ansiedade e o desejo de ser curado pela agitação das águas no tanque de Betesda era muito maior. Jesus chegou ali e mudou a situação, o ambiente espiritual de alguém que conseguiu tirar os olhos do tanque e olhar para Jesus. Um paralítico que a 38 anos não se locomovia facilmente. Betesda significa em hebraico, “casa de misericórdia”, mas tudo indica que o misericordioso Salvador, Jesus Cristo, ali chegando só curou apenas uma pessoa, justamente aquela que conseguiu tirar os olhos do tanque e colocá-los em Jesus. O tanque para muitos é palco de problemas, dificuldades, empecilhos e coisas mal resolvidas. Muitos sabem que precisam mudar de rumo, trocar de bonde, deixar o atalho e caminhar pelas veredas seguras da verdade, mas insistem em sofrer, em permanecer com os olhos no tanque de Betesda. Ponha seus olhos em Cristo e verás o milagre!