O navio está a salvo

“Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes águas. Esses vêem as obras do SENHOR, e as suas maravilhas no profundo. Pois ele manda, e se levanta o vento tempestuoso que eleva as suas ondas” (Salmos 107:23-25).

Das muitas preocupações do telegrafista uma é considerada a maior, a questão da posição do navio. Quando a equipe de comunicações consegue mandar a posição do navio, então todos ficam mais tranquilos, principalmente, o comandante. O dia estava maravilhoso. O Comandante do navio liberou recreação geral. Aproveitei para ir lá para a proa e passei quase toda a manhã acompanhando o show dos golfinhos. Somente a bordo de um navio de grande porte e em alto mar se consegue contemplar um espetáculo tão maravilhoso como o que presenciei… procurei o pastor Silva e lhe disse que o pessoal da estação rádio recebeu carta branca do encarregado da divisão para comemorar o aniversário do telegrafista chefe. O capitão-tenente liberou o próprio setor para a festa. A estação rádio era muito pequena e ali eu não iria ficar confortável então pedi uma sugestão ao pastor: – perguntei ao pastor, o senhor acha que eu devo comparece ao aniversário do telegrafista chefe? – acho que sim, ele é uma pessoa muito boa e gosta demais de você. Se não fores ele ficará muito aborrecido. – pastor disse eu, ouvi uma conversa entre eles que por ocasião da festa eles iriam aprontar uma cilada para mim, não sei do que se trata, só sei que é algo que irá manchar minha reputação como cristão, é tanto que alguém pediu até para não esquecerem a máquina fotográfica, e a foto iria ser publicada no jornalzinho de bordo por nome “a patada”. Após alguns momentos pensando o pastor Silva me disse: – se é assim, acho melhor você ficar por aqui. Neste lugar onde estamos ninguém te achará e você sairá daqui somente para ir ao rancho e depois entrar de serviço… Ali oramos, lemos a Bíblia e ouvi muitas histórias de sua vida naval, inclusive sobre a missão em São Domingos e algumas incursões em praias brasileiras, ou melhor exercícios típicos dos fuzileiros navais, bem como sobre o seu ministério pastoral. Foi tudo muito maravilhoso… Quando cheguei à estação rádio para assumir o serviço, percebi que o clima estava tenso. A famigerada “mensagem de posição”, ainda não tinha o recibo de nenhuma estação do Brasil, ou melhor, eles não tinham ainda a certeza da entrega. O encarregado da divisão estava ali junto com parte da equipe, os demais, tão logo encerrou a comemoração do aniversário do telegrafista chefe (TL-Chefe) abandonaram a estação rádio. – o cheiro de salgadinho e cerveja e outras bebidas saturava o ar da estação. Passei por eles, fui em direção a escotilha e a abriu um pouquinho somente. Ali orei para o mar e não se via nem o horizonte. Tudo estava como um breu. Naquele momento eu orei ao Senhor e enquanto orava algumas estrelas cadentes cortaram o céu e se perderam além do horizonte. Sempre que isso acontecia eu entendia que o Senhor ouvira minha oração. Essa certeza eu trazia comigo desde quando eu subia ao monte de Paracambí para buscar a Deus.  Fechei a escotilha e perguntei ao Sargento Orlandino, TL-Chefe: – o senhor permite eu tocar no manipulador? – claro, já fizemos de tudo, além do CW, trafegamos pela fonia e não tivemos êxito. O Encarregado Capitão-Tenente Flávio ficou olhando todos os meus movimentos. Eu guarneci o manipulador, liguei o transmissor de RF e iniciei um contato com a Estação Rádio de Natal, como eu estava com o fone de ouvido eles não ouviram nada do tráfego, nem a resposta daquela estação brasileira sobre o recebimento da mensagem de posição. Eu, desconectei o fone de ouvido, aumentei o volume do receptor e perguntei mais uma vez pelo código Morse: vocês receberam a nossa mensagem de posição? Caso afirmativo favor emitir um sinal contínuo. A resposta foi imediata. O sinal longo foi ouvido por todos. O navio estava a salvo. O TL-Chefe e o operador de serviço abriram um sorriso longo um para o outro e o chefe falou para o Encarregado: a Estação de Natal recebeu a posição e já mandou para a estação do Rio de Janeiro. O CT Flávio, colocando a mão no meu ombro me agradeceu e sai, dizendo que iria avisar ao comandante do navio e ao chefe do departamento de navegação que o navio estava a salvo, pois a posição já estava no Rio de Janeiro. Minutos depois eu abri a escotilha fiz outra oração a Deus, vi várias estrelas cadentes e agradeci de todo coração a intervenção do Senhor, somente ele poderia ter nos dado aquela vitória e honrado o meu nome perante os meus superiores. Em menos de uma hora as comunicações se normalizaram e as estações rádios do Brasil trafegaram comigo e foi tudo uma benção. O serviço foi muito tranquilo, sem ocorrências. O navio estava salvo isso era tudo naquela hora.

Esse relato é comovente e edificante. Caso o amigo e irmão deseje ler todo ele na íntegra e saber como foi os detalhes da vitória, é só adquirir o livro Avistei o Farol. Entre em contato comigo pelos telefones (61) 9551-9827 (claro) ou (61) 8195-1942 (TIM) e ainda (61) 3242-4456, email orcelio.orcelio@gmail.com e farei o possível para que o livro chegue as suas mãos, uma vez que você não o encontrará, ainda, nas principais livrarias nacionais.

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